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Como agir frente aos problemas do Mundo?

Vamos resolver o problema do mundo? Você já deve ter ouvido ou pensado sobre como fazer isso. Provavelmente desistiu quando viu que o mundo tinha problemas demais ou que você não sabia dizer exatamente qual era o problema central. Será a política? Capitalismo? Desigualdade social? Preconceitos? Impacto ambiental? Consumismo? Egoísmo? O que será?


Será que podemos resumir em apenas um problema? Ou podemos, ainda, inverter a lógica, pensando se o mundo, na verdade, não tem nenhum problema. A primeira vista essa ideia pode parecer absurda, mas, se nos aprofundarmos nessa linha de pensamento, ela talvez se torne uma possibilidade. Vejamos:


De acordo com o dicionário Michaelis, a definição de problema é: “Pessoa, coisa ou situação que causa incômodo ou preocupação.”, ou seja, é algo que incomoda e que buscamos resolver. Considerando essa definição, passamos a nos questionar se o capitalismo é um problema para os capitalistas. O egoísmo é um problema para os egoístas. Se o racismo é um problema para os racistas. Ou mesmo se a escravidão era um problema para os escravocratas. Temos que admitir que a resposta é não! Somos levados a concluir que uma determinada situação só é um problema para quem se sente incomodado ou preocupado com aquela questão. Se parece confortável e normal, não é um problema por mais que essa situação cause sofrimento em outros seres! Podemos, a partir disso, inferir que aquilo que é um problema para um, pode não ser para outro, sendo a sua classificação baseada em sistemas de crenças bastante particulares, pois o que é incômodo ou não depende do observador. Chegamos então na relatividade do problema.


Quer dizer então que podemos alegar que fatos inegáveis como o sofrimento humano, a destruição da natureza, um sistema de sociedade insustentável não são necessariamente um problema? Na verdade, isso significa que a classificação de algo como problema vai depender do nível de consciência da pessoa que está olhando para a situação. Existem pessoas que não se incomodam com determinadas situações e não os classificam como problemas. Enquanto outras acham um absurdo e não acreditam que pessoas possam ficar indiferentes frente as mesmas situações, considerando-as como os maiores problemas do mundo. Mas a única coisa que muda nesse caso é a perspectiva da consciência que observa a situação.


Às vezes ouvimos: “Antigamente, o mundo parecia um lugar melhor e de repente temos tantos problemas no mundo!”. Na verdade, sempre tivemos, o que mudou foi o nível de consciência das pessoas. Está cada vez mais difícil manter-se confortável, desta forma, um número crescente de pessoas começa a se importar.


Essas situações incômodas existem principalmente pelo fato de não terem sido consideradas problemáticas por aqueles que as criaram! Nesse momento recorremos a Otto Scharmer, professor do MIT e desenvolvedor da Teoria U, que diz: “A qualidade dos resultados atingida por qualquer sistema é uma função da qualidade de consciência com a qual as pessoas operam esse sistema.”. Vale a pena refletir sobre essa frase e a verdade que ela traz consigo.


O que vemos acontecer hoje é o nível de consciência se elevando e os resultados do sistema em que vivemos se tornando insatisfatórios para essas pessoas. Scharmer diz que como a consciência da humanidade está sendo alterada, também terão que ser alterados os resultados desse sistema. O que gera todo esse incômodo é que a mudança na consciência ocorre necessariamente primeiro e no mundo externo depois.


O que estamos presenciando é uma transição na consciência da humanidade que gera também a transição nas estruturas do sistema, pois está tudo interligado, e isso traz a percepção de problemas infindáveis. Alguns podem chamar de crise, transformação, renovação, colapso, etc. Mas, de qualquer maneira é uma transição onde as estruturas operantes não fazem mais sentido e precisam se adequar ao novo nível de consciência da humanidade.


Quer dizer que após a mudança conseguiremos atingir um estado de calma e ausência de problemas? Isso seria possível apenas com o cessar da vida em nós. Enquanto houver vida, haverá mudanças. O que observamos ao longo da história é que a consciência não cessa de evoluir, consequentemente a defasagem entre consciência e sistema sempre existirá. Sendo assim, o que chamamos de problemas ou incômodos, sempre estarão presentes, forçando o mundo e o ser humano à evolução. O estado em que a geração passada está nos entregando o mundo parece absurdo para nós, assim como provavelmente irá parecer para a próxima geração o mundo que deixarmos. O nível de consciência continuará evoluindo e os problemas que as outras gerações enfrentarão, não podemos nem imaginar hoje, pois muitos não são nem considerados problemas por nós. Assim como nossos antepassados também não imaginaram o que vivemos e questionamos hoje.


Se um problema só é um problema para quem está consciente dele e se a única forma de alterar os resultados de um sistema é alterando a consciência dos envolvidos, que conclusões chegamos a partir disso?


Se estamos desconfortáveis com a forma como o planeta está funcionando, devemos trabalhar no nível de consciência dos envolvidos, tanto para que se tornem conscientes do sofrimento alheio quanto para que os resultados do sistema sejam diferentes!


Mas quem são os envolvidos? Seres humanos, ou seja, nós que fazemos parte da consciência da humanidade! Toda mudança, por menor que seja, no nível de consciência de qualquer ser humano irá contribuir para mudar a forma de funcionar do mundo. As consequências dessa conclusão não devem ser menosprezadas.


A primeira é que a consciência sobre a qual eu mais tenho potencial de mudar é a minha própria! Portanto, quando eu mudo a minha consciência sobre o meu papel no mundo, eu auxilio essa transição a acontecer. Quando eu mudo, o mundo muda comigo. E não apenas a partir da minha perspectiva, ele muda realmente, pois cada um de nós somos partes integrantes deste sistema, e por menor que sejamos, estamos mudando a consciência do sistema fazendo isso. Não há lugar melhor pra começar do que em si mesmo.


Outra consequência é que, se precisamos auxiliar a consciência do sistema todo a se elevar, nenhuma parte deve ser vista como um inimigo, apenas como inconsciente sobre determinada questão. E o problema que nos incomoda só poderá então ser resolvido trabalhando em conjunto para elevação do nível de todas consciências envolvidas. A consciência da humanidade é apenas uma. Estamos todos no mesmo barco, e enquanto não conseguirmos ver isso, estamos condenados a ficarmos presos na ilusão da separatividade, encontrando inimigos imaginários e mantendo a nós mesmos e aos outros em níveis de consciência que geram todas essas situações autodestrutivas.


Se você se identifica com a ideia que tem algo errado com o mundo, indagando sobre como pode contribuir para elevar a consciência planetária, e qual seu papel nisso tudo, você já está se tornando um agente transformador que começou a fazer as perguntas que te levarão a encontrar um novo caminho. Você já está transformando o mundo, mesmo que não possa perceber.


Esse texto pode te ajudar a fazer as perguntas certas, mas com certeza não pode te dizer qual caminho seguir, pois como diz um provérbio Sufi “Há tantos caminhos para Deus como almas na Terra”, e é tarefa de cada um encontrar o caminho da sua alma.


Jonas Crauss, transformador, engenheiro de computação e interventor.

Dra. Cristiane Paiva Alves, visionária, docente da UNESP, pesquisadora do Grupo

de Estudos e Pesquisas em Psicologia Moral e Educação Integral

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